Novos Negócios no Setor Elétrico

Por Nivalde de Castro e Roberto Brandão.

O artigo foi publicado pelo serviço de informação Broadcast da Agência Estado de São Paulo em 7 de novembro de 2018 (Clique aqui acessar o PDF).

O Setor Elétrico (SE) possui, basicamente, três características econômicas: (i) é uma atividade de infraestrutura fundamental para os países; (ii) envolve volumes elevados de investimento com longo prazo de maturação; e (iii) tem dois segmentos da sua cadeia produtiva – transmissão e distribuição – que são monopólios naturais.

A crise econômica mundial dos anos de 1980 levou a um processo de liberalização das atividades de infraestrutura e a privatização de empresas estatais. Assim, a responsabilidade pelos investimentos nestes setores foi gradativamente sendo assumida pelos agentes privados, tornando a Regulação Econômica necessária, seja para dar garantias aos investidores, seja para estabelecer tarifas justas.

Atualmente, o Setor Elétrico passa por uma revolução tecnológica de curso acelerado, quebrando paradigmas consolidados, impondo grandes desafios e abrindo novas oportunidades de negócio.

Esta verdadeira metamorfose tecnológica pode ser sintetizada por três D’s. O primeiro é a Descarbonização, pouco relevante para o Brasil, mas que é um dos principais vetores da transição energética sob o mantra ecológico e da segurança nacional de suprimento. O segundo é a Digitalização, um processo muito dinâmico em função da possibilidade concreta de ganhos de produtividade, recriando processos e exigindo novos produtos, inclusive com baixo Capex. E, por fim, a Descentralização, com exemplos da geração distribuída, dos veículos elétricos, dentre outros.

Os novos produtos e processos da revolução tecnológica do SE serão consumidos e processados principalmente nos espaços urbanos. Desta forma, as Utilities possuem uma dupla vantagem competitiva: são as mais qualificadas conhecedoras dos hábitos, características e especificidades dos consumidores e seus espaços físicos contratuais de concessão estão sob o regime de monopólios naturais.

Deste modo, abre-se para as Utilities uma grande oportunidade de novos negócios no mercado de energia elétrica vinculados aos novos produtos e processos da revolução tecnológica.

No Setor Elétrico Brasileiro (SEB), os sinais da percepção competitiva desta nova dinâmica podem ser evidenciados por alguns exemplos. A estratégia das Utilities de verticalizar seus investimentos em toda a cadeia produtiva – geração, transmissão, distribuição e comercialização – possibilitando ganhos de sinergia e de escala sob a égide da holding. A preocupação com a inovação e as oportunidades de novos negócios a ela associadas têm ganhado destaque crescente no planejamento estratégico e, cada vez mais, com diretoria específica destes grupos econômicos. Outro exemplo são os prêmios pagos para ampliar a participação na cadeia produtiva do SEB, com destaque para o segmento de distribuição.

Nestes termos, o Setor Elétrico Brasileiro, em função da participação crescente e consolidada de Utilities com forte e grande tradição no mercado internacional e nacional, será impactado por inovações tecnológicas que irão, de forma gradativa, considerando a heterogeneidade do mercado e da sociedade brasileira, abrir a oportunidade de novos investimentos e benefícios aos consumidores. Nesta metamorfose, as Utilities terão um papel estratégico e determinante caso saibam aproveitar as oportunidades dos novos negócios que estão surgindo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: