ūüé• Gera√ß√£o de Energia e Mudan√ßas Clim√°ticas

Por Nivalde de Castro, Diogo Salles e Luiza Masseno.

O artigo foi publicado pelo serviço de informação Broadcast da Agência Estado de São Paulo em 3 de Julho de 2019 (Clique aqui acessar o PDF).

Os pesquisadores Diogo Salles e Luiza Masseno fazem um breve resumo do artigo.

A BP publica, anualmente, um relat√≥rio com informa√ß√Ķes estat√≠sticas sobre gera√ß√£o e o consumo de energia mundial, desagregados por pa√≠ses e fontes. O relat√≥rio de 2019 indica que, em 2018, a demanda de energia el√©trica aumentou 2,9%. Embora neste ano o uso de energias renov√°veis tenha aumentado de forma significativa, com destaque para solar e e√≥lica, foi verificado um crescimento no consumo de petr√≥leo, g√°s e carv√£o, indicando a predomin√Ęncia da participa√ß√£o de fontes de gera√ß√£o emissoras de gases poluentes na matriz energ√©tica mundial.

O relat√≥rio da BP destaca que China, √ćndia e EUA foram os respons√°veis por, aproximadamente, dois ter√ßos do crescimento da demanda mundial de energia. No caso dos EUA, a demanda teve acr√©scimo de 3,5%, sendo este o mais expressivo aumento registrado no consumo de energia nos √ļltimos 30 anos. Dados da U.S. Energy Information Admininstration (EIA) indicam que, em 2018, 63% da gera√ß√£o de energia el√©trica do pa√≠s teve como origem a queima de combust√≠veis f√≥sseis, com destaque para o g√°s natural e o carv√£o. Em rela√ß√£o √† China, este indicador ultrapassou 70%, com destaque para o carv√£o. A √ćndia, por sua vez, apresentou um n√≠vel ainda maior de gera√ß√£o a partir de fontes poluidoras, ultrapassando a marca de 80%, tamb√©m com predom√≠nio da participa√ß√£o do carv√£o.

Cientes de que h√° uma forte rela√ß√£o entre o consumo de energia e a atividade econ√īmica, a BP destaca que o crescimento da demanda de energia el√©trica registrado em 2018 parece estar associado aos efeitos das mudan√ßas clim√°ticas resultantes da emiss√£o de gases poluentes. Para respaldar esta hip√≥tese, o relat√≥rio aponta que, no ano de 2018, os efeitos da mudan√ßa clim√°tica provocaram o aumento da quantidade de dias com temperaturas m√°ximas e m√≠nimas extremas em todo o planeta, levando a um crescimento na demanda por energia para fins de aquecimento e refrigera√ß√£o.

A preocupante conclus√£o assinalada pelo relat√≥rio da BP √© a de que h√° a configura√ß√£o de um poss√≠vel c√≠rculo vicioso, no qual as altera√ß√Ķes dos padr√Ķes clim√°ticos, vinculados √†s emiss√Ķes poluentes, levam ao aumento de demanda por energia e, consequentemente, da emiss√£o de gases poluentes. Este processo est√° diretamente associado aos pa√≠ses desenvolvidos e emergentes com matrizes el√©tricas em que prevalecem fontes n√£o renov√°veis.

Neste novo contexto ambiental, merece ser destacado que o Brasil, mesmo enfrentando temperaturas mais elevadas, detém uma matriz elétrica das menos poluidoras do mundo, só perdendo para o Paraguai, por conta da participação da Binacional Itaipu, e para a Noruega. Somente a fonte hídrica detém mais de 60% da capacidade instalada no país, assinalando-se a recente evolução da fonte eólica, que atingiu 7,8 % de toda capacidade nacional, em 2017, de maneira que as fontes renováveis representam cerca de 85% da matriz elétrica, quase o inverso da matriz mundial.

Esta caracter√≠stica marcante do Brasil no cen√°rio el√©trico mundial determina uma posi√ß√£o de ‚Äėponto fora da curva‚Äô no quesito de energia limpa. Proje√ß√Ķes feitas pela EPE para os pr√≥ximos anos apontam para a manuten√ß√£o desta posi√ß√£o de destaque da matriz el√©trica renov√°vel, mas com um novo paradigma, determinado pela queda da participa√ß√£o da fonte h√≠drica e pelo aumento da participa√ß√£o de fontes renov√°veis alternativas, notadamente e√≥lica e solar, tendo em vista as dimens√Ķes geogr√°ficas e as caracter√≠sticas tropicais do pa√≠s.

Os dados da EPE indicam que, at√© 2027, a capacidade instalada da fonte e√≥lica atingir√° a marca de 26 GW, contra 12,3 GW, em 2017. A EPE aponta, ainda, para um forte crescimento da fonte solar, que dever√° atingir mais de 8 GW de capacidade instalada, em 2027, contra somente 0,93 GW, em 2017. Entretanto, as proje√ß√Ķes sugerem que, em 2027, o pa√≠s ter√° uma matriz el√©trica com 78% da capacidade de gera√ß√£o proveniente de fontes renov√°veis. A redu√ß√£o em rela√ß√£o ao ano de 2018 √© explicada pela necessidade imperiosa de ampliar a participa√ß√£o de plantas termoel√©tricas, com destaque para o g√°s natural, visando suportar as intermit√™ncias e sazonalidades das fontes renov√°veis do novo paradigma e, desta forma, garantir a seguran√ßa no suprimento de energia el√©trica.

A exist√™ncia de um c√≠rculo vicioso caracterizado por alta emiss√£o de gases poluentes, mudan√ßas clim√°ticas e aumento da demanda por energia √© um desafio ao panorama energ√©tico, sobretudo no caso de pa√≠ses com altos n√≠veis de emiss√£o. √Č flagrante a necessidade de que estes pa√≠ses intensifiquem esfor√ßos no sentido da constru√ß√£o de matrizes energ√©ticas mais limpas em benef√≠cio da humanidade. Por√©m, este n√£o √© um problema ou quest√£o estrat√©gica para o planejamento el√©trico do Brasil, muito pelo contr√°rio, ent√£o os √īnus desta transi√ß√£o energ√©tica n√£o devem impactar e encarecer a energia el√©trica no pa√≠s.

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