ūüé• Intelig√™ncia Artificial na Mobilidade El√©trica

Por Nivalde de Castro e Mateus Guerra

O artigo foi publicado pelo serviço de informação Broadcast da Agência Estado de São Paulo em 31 de julho de 2019 (Clique aqui acessar o PDF).

O pesquisador Matheus Vieira faz um breve resumo do artigo.

A din√Ęmica das revolu√ß√Ķes industriais est√° na base do desenvolvimento da sociedade moderna. Com in√≠cio na Inglaterra, no fim do s√©culo XVIII, e tendo como √≠cone a m√°quina a vapor de James Watt, a primeira revolu√ß√£o industrial abriu um intenso processo de novos produtos e processos, alterando continuamente os padr√Ķes de consumo e quebrando paradigmas. A quarta revolu√ß√£o industrial, por√©m, promete realizar novas mudan√ßas e metamorfoses, em um ritmo bem mais intensificado devido √† colabora√ß√£o entre tecnologias sin√©rgicas.

O setor el√©trico √© um dos grandes beneficiados destas transforma√ß√Ķes, uma vez que utiliza bens de capital em grande escala, possui uma demanda infinita e √© caracterizado por uma r√°pida adapta√ß√£o aos novos paradigmas tecnol√≥gicos, vinculado ao potencial de redu√ß√£o de custos e de novos produtos.

Um dos segmentos que marcam o desenvolvimento tecnol√≥gico desta nova revolu√ß√£o √© intelig√™ncia artificial (IA), desenvolvida a partir dos anos 70, a qual, agora, come√ßa a ser utilizada em larga escala. Apesar de sua t√≠mida utiliza√ß√£o no s√©culo passado, a ind√ļstria automobil√≠stica foi pioneira na aplica√ß√£o de IA para otimizar processos e criar novos produtos. A IA permitiu a r√°pida e radical transi√ß√£o entre processos produtivos do Fordismo para o Toyotismo, destronando Detroit como capital mundial desta ind√ļstria e intensificando, ainda mais, a grande predisposi√ß√£o √† inova√ß√£o da ind√ļstria automobil√≠stica.

Por exemplo, a IA foi utilizada na implementação de modelos de lógica difusa em freios ABS e em motores de transmissão automática, os quais permitiram um maior controle sobre a suavidade da velocidade do motor. Já a tecnologia de reconhecimento de fala, utilizada atualmente em smartphones e tablets, já existia em meados dos anos 90, com a introdução de veículos capazes de reconhecer a voz de seus donos.

Al√©m de inova√ß√Ķes em produtos, a IA foi utilizada para otimizar os processos existentes na produ√ß√£o de ve√≠culos. A substitui√ß√£o da m√£o-de-obra humana √© uma caracter√≠stica marcante da ind√ļstria automobil√≠stica e os avan√ßos da IA criaram oportunidades, possibilitando uma padroniza√ß√£o da linha de montagem, al√©m da aloca√ß√£o mais eficiente de recursos, em um processo denominado planejamento de montagem veicular.

O avanço de algoritmos também permitiu a identificação de equipamentos e peças defeituosas dispostos na linha de montagem, o que evita que veículos com falhas cheguem ao consumidor, economizando em custos de reposição e preservando a imagem da marca frente aos clientes cada vez mais exigentes e interativos via redes sociais.

Destaca-se que um novo universo tecnol√≥gico se abre para a ind√ļstria automobil√≠stica, em que a IA ser√° decisiva para o posicionamento competitivo. Trata-se da mobilidade el√©trica, cuja motiva√ß√£o est√° diretamente associada ao processo de transi√ß√£o energ√©tica em curso no mundo desenvolvido, centrado no objetivo de descarboniza√ß√£o para tentar mitigar os impactos do, cada vez maior, aquecimento global, como indicam as altas temperaturas deste ver√£o no Hemisf√©rio Norte.

Atualmente, os ve√≠culos el√©tricos produzidos j√° possuem certo grau de utiliza√ß√£o de IA, atrav√©s do sistema de assist√™ncia ao motorista, o qual fornece suporte de condu√ß√£o, sem a retirada de autonomia. Um grande potencial tecnol√≥gico est√° na concep√ß√£o de ve√≠culos aut√īnomos, os quais dispensam a necessidade de motorista por serem guiados via computador, com uma capacidade de tomada de decis√£o cuja efici√™ncia est√° evoluindo. Neste sentido, o desenvolvimento de ve√≠culos aut√īnomos ganha prioridade na ind√ļstria automobil√≠stica, abrindo espa√ßo para novos entrantes, como o caso da Tesla, ou para empresas que n√£o atuam nesta √°rea, mas que possuem capacidade tecnol√≥gica auxiliares, como processamento de dados, (Google) que facilitam o processo de desenvolvimento.

Este cen√°rio tecnol√≥gico, aparentemente distante, n√£o deve ser desprezado no pa√≠s, basicamente por tr√™s raz√Ķes: (i) nossas dimens√Ķes econ√īmica, demogr√°fica e continental; (ii) a ind√ļstria automobil√≠stica ser globalizada; e (iii) o impacto imperativo na economia brasileira em decorr√™ncia da dimens√£o disruptiva da mobilidade el√©trica.

Na dire√ß√£o de antecipar e criar uma base de conhecimento e infraestrutura, merece destaque a iniciativa da ANEEL, atrav√©s de seu Programa de P&D, de ter aberto uma concorr√™ncia para projetos de mobilidade el√©trica. Neste processo, foram impostos condicionantes inovadores aos projetos, tais como: (i) a realiza√ß√£o em rede heterog√™nea; (ii) a exig√™ncia de contraparte financeira de agentes externos ao setor; e (iii) a inser√ß√£o de novos produtos e processos no mercado. As propostas firmaram propostas de investimentos superiores a R$ 600 milh√Ķes, atrav√©s de parceria entre as principais utilities do setor el√©trico, como CPFL, EDP, Light, Neoenergia, grandes grupos industriais, como Siemens, Volkswagen, Movida, ABB, e os principais centros de pesquisa do Brasil.

Em suma, estes são os primeiros movimentos tímidos mas firmes para se criar uma infraestrutura de produtos e processos de mobilidade elétrica no Brasil, preparando a nossa economia para este futuro, o qual está próximo e é irreversível

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