ūüé• Usinas Hidroel√©tricas Revers√≠veis no Brasil

Por Nivalde de Castro e Roberto Brand√£o.

O artigo foi publicado pelo serviço de informação Broadcast da Agência Estado de São Paulo em 14 de Agosto de 2019 (Clique aqui acessar o PDF).

O pesquisador Roberto Brand√£o faz um breve resumo do artigo.

Os resultados dos √ļltimos leil√Ķes de energia nova indicam que as fontes mais baratas no Brasil s√£o, e ser√£o por um longo per√≠odo, a energia e√≥lica e solar. O barateamento e a consequente difus√£o acelerada destas fontes na matriz imp√Ķem um grande desafio para o Setor El√©trico Brasileiro (SEB), em fun√ß√£o de a sua gera√ß√£o ser n√£o control√°vel, impondo a necessidade de outras fontes para compensar as incertezas.

Uma caracter√≠stica espec√≠fica da energia el√©trica √© n√£o ser estoc√°vel. Como o consumo de energia el√©trica √© uma vari√°vel independente, √© necess√°rio um complexo sistema de controle e opera√ß√£o da gera√ß√£o para que o equil√≠brio din√Ęmico entre a demanda e a oferta de energia el√©trica se verifique, evitando black outs.

Neste sentido, o Operador do Sistema El√©trico (ONS) programa diariamente o funcionamento das centrais el√©tricas control√°veis ‚Äď t√©rmicas de diferentes tipos e hidroel√©tricas – para gerarem no n√≠vel suficiente, com a finalidade de acompanhar o consumo previsto, garantindo o equil√≠brio din√Ęmico e instant√Ęneo. Quando ocorre algum descasamento de oferta (ex. uma maior gera√ß√£o e√≥lica em fun√ß√£o das condi√ß√Ķes do vento) ou de demanda (ex. redu√ß√£o mais ou menos r√°pida da demanda √† noite), o ONS precisa balancear o sistema em tempo real. Algumas usinas de grande porte s√£o programadas para manter uma reserva, a fim de aumentar ou reduzir sua gera√ß√£o, as quais est√£o ligadas diretamente a um dos quatro centros de despacho do ONS. Quando o centro de controle constata qualquer descasamento entre gera√ß√£o e consumo, uma destas centrais compensa a diferen√ßa, mantendo, assim, a estabilidade do sistema.

O fato de contar com a gera√ß√£o de fontes n√£o control√°veis n√£o √© necessariamente um problema, especialmente quando as gera√ß√Ķes e√≥lica e solar det√™m pequena participa√ß√£o do parque gerador. Entretanto, a presen√ßa crescente de plantas e√≥lica e solar coloca o ONS e as usinas control√°veis sobre crescente e tenso estresse.

Estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no Plano Decenal de Energia (PDE 2027) indicam que, ao longo da próxima década, será necessária a contratação de projetos capazes de conceder ao ONS capacidade de ajuste fino entre a geração (oferta) e carga (demanda). Na falta indicada de novos projetos de usinas hidroelétricas com reservatórios, os novos projetos controláveis podem ser as usinas termoelétricas. No entanto, de acordo com a experiência internacional, como é o caso de Portugal, há também uma alternativa complementar, as usinas hidroelétricas reversíveis (UHR).

Tecnicamente, as UHR s√£o usinas h√≠dricas capazes de armazenar energia, utilizando, para este fim, outras fontes geradoras. As UHR podem consumir energia quando h√° gera√ß√£o n√£o control√°vel em abund√Ęncia, muito vento ou chuva, por exemplo, e utilizar esta energia para bombear √°gua de um reservat√≥rio inferior para um reservat√≥rio superior. Desta forma, o reservat√≥rio superior estocar√° √°gua e, portanto, energia potencial, que ser√° utilizada para gerar energia em momentos de escassez. Neste caso, a usina revers√≠vel funcionar√° como uma hidroel√©trica normal, gerando energia de forma control√°vel para manter o equil√≠brio do sistema.

No Brasil, há um grande potencial de oportunidades inexplorado de UHR. Estudos realizados no passado pela Eletrobras e pela CESP, com destaque para o estudo preliminar da EPE, realizado em 2019, indicam um potencial de UHR no Rio de Janeiro. A questão é que, no Brasil, não existe uma regulação para remunerar a construção de UHR, impedindo o desenvolvimento deste novo mercado.

Na verdade, a quest√£o central que se coloca atualmente, no SEB, √© como valorar uma usina revers√≠vel e justificar sua constru√ß√£o. Uma UHR tende a ser mais cara do que uma usina termoel√©trica. Por√©m, a grande vantagem da UHR √© ser uma tecnologia de armazenamento, podendo acumular excessos moment√Ęneos ou sazonais de energia, na forma de √°gua, quando este insumo √© abundante e ultra barato.

Desta forma, e a t√≠tulo de conclus√£o, o SEB precisa de uma metodologia e inova√ß√Ķes regulat√≥rias para atrair investimentos em UHR, abrindo um novo mercado e ampliando, ainda mais, a atratividade da gera√ß√£o renov√°vel n√£o control√°vel, notadamente as fontes e√≥lica e solar.

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