ūüé• Desafios das Utilities do Setor El√©trico Brasileiro

Por Nivalde de Castro, Lorrane C√Ęmara e Bianca de Castro.

O artigo foi publicado pelo serviço de informação Broadcast da Agência Estado de São Paulo em 28 de agosto de 2019 (Clique aqui acessar o PDF).

A pesquisadora Bianca Castro faz uma breve apresentação do artigo.

O processo mundial de transi√ß√£o energ√©tica em curso est√° sendo caracterizado por tr√™s drivers de inova√ß√Ķes tecnol√≥gicas: Descarboniza√ß√£o, Descentraliza√ß√£o e Digitaliza√ß√£o ‚Äď 3 D¬īs. Uma das principais resultantes desta transi√ß√£o √© a amplia√ß√£o do uso da energia el√©trica pela sociedade, tendo como exemplo mais atual a difus√£o dos ve√≠culos el√©tricos.

O objetivo deste artigo é analisar o D da digitalização, como fator relevante para a lucratividade e sustentabilidade financeira dos grupos que atuam no segmento de distribuição de energia elétrica do Setor Elétrico Brasileiro (SEB).

De imediato, deve-se considerar que o “negócio“ de distribuição de energia elétrica, no Brasil, seguirá a tendência verificada nos países desenvolvidos, notadamente nos EUA e na União Europeia, de separação entre as atividades de distribuição stricto sensu e de comercialização. Trata-se de uma mudança estrutural que, no Brasil, está sendo realizada de forma gradual, porém sem volta, em direção a um mercado mais liberalizado e competitivo no segmento da comercialização.

Mesmo cabendo às distribuidoras somente a remuneração pelos investimentos e serviço de manutenção das redes de distribuição, as concessionárias serão impactadas pelo processo de transição energética. Os desafios tecnológicos intrínsecos a este processo demandarão avanços significativos no campo da digitalização das redes, de modo que investimentos serão cruciais para que as distribuidoras possam, cada vez mais, assumir a operação ativa do sistema de distribuição.

Este processo, como se prev√™, a luz do que ocorreu em outros pa√≠ses, ir√° exigir, necessariamente, inova√ß√Ķes regulat√≥rias, a fim de que o ‚Äúneg√≥cio‚ÄĚ da distribui√ß√£o se mantenha sustent√°vel e garanta o retorno dos novos investimentos associados √† digitaliza√ß√£o. Neste aspecto, uma quest√£o crucial ser√° como considerar e classificar os investimentos em digitaliza√ß√£o vinculados ao monop√≥lio natural, sobre os quais o retorno √© assegurado contratualmente.

Em paralelo, a transi√ß√£o energ√©tica est√° abrindo a possibilidade de novos neg√≥cios, dissociados das garantias dadas pelo monop√≥lio natural. Esta din√Ęmica ultracompetitiva est√° impondo aos grupos que det√©m concess√Ķes de distribui√ß√£o ‚Äď utilities – a diversifica√ß√£o de sua √°rea de atua√ß√£o, atrav√©s da cria√ß√£o ou da compra de empresas focadas em inova√ß√Ķes, para aproveitar as oportunidades de novos neg√≥cios que a transi√ß√£o energ√©tica est√° proporcionando.

Neste processo din√Ęmico, dois aspectos merecem ser destacados. O primeiro, de car√°ter estrutural, √© a necessidade impositiva de as utilities do SEB incorporarem em seu planejamento estrat√©gico a inova√ß√£o. Constata-se, nos principais grupos, a√ß√Ķes nesta dire√ß√£o, com a cria√ß√£o de diretorias e vicepresid√™ncias de Inova√ß√£o, como √© o caso dos grupos EDP, Energisa, CPFL, entre outros. Desta forma, a tend√™ncia √© a sistematiza√ß√£o de programas de inova√ß√£o, os quais ir√£o orientar as decis√Ķes de investimentos que a transi√ß√£o energ√©tica proporciona, seja dentro e fora do monop√≥lio natural.

O segundo aspecto √© que o SEB det√©m um importante instrumento de pol√≠tica p√ļblica de inova√ß√£o: o Programa de P&D da ANEEL. O Programa √© financiado atrav√©s de uma parcela √≠nfima da receita operacional l√≠quida das concession√°rias, n√£o dependendo de verbas p√ļblicas. Os recursos s√£o aplicados em projetos de inova√ß√£o definidos pelas pr√≥prias empresas, um sinal importante de autonomia e liberdade para que os grupos possam investir de acordo com seus interesses, vis√Ķes e estrat√©gias de neg√≥cio.

Nestes termos, e a título de conclusão, as utilities do SEB estão se preparando e têm capacidade, na avaliação dos autores, para enfrentar os desafios que a transição energética está impondo ao seu ambiente de negócio.

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