ūüé• A Repotencia√ß√£o das UHE

Por Nivalde de Castro, Diego Pinheiro de Almeida e Ana Carolina Chaves.

O artigo foi publicado pelo serviço de informação Broadcast da Agência Estado de São Paulo em 11 de setembro de 2019 (Clique aqui acessar o PDF).

O pesquisador Diego Pinheiro de Almeida faz um breve resumo do artigo.

A capacidade instalada de usinas hidrel√©tricas (UHE), no Brasil, ultrapassou a marca de 100 GW, mas as perspectivas de amplia√ß√£o n√£o s√£o promissoras, em fun√ß√£o da legisla√ß√£o ambiental e das restri√ß√Ķes derivadas de comprometimentos legais de uso do solo. Desta forma, a longa fase de ‚Äúhegemonia das UHE‚ÄĚ chegou ao fim. No entanto, o Setor El√©trico Brasileiro (SEB) tem e ter√° cada vez mais, nas UHE, uma depend√™ncia estrat√©gica, em raz√£o de sua elevada participa√ß√£o na matriz e pela import√Ęncia crescente da energia armazenada nos reservat√≥rios.

O grande parque de UHE, totalizando 1.355 usinas de pequeno, m√©dio e grande porte, segundo dados da ANEEL, se encontra em opera√ß√£o h√° muito tempo. Por isso, muitas usinas est√£o em idade de check-up, necessitando de reparos t√©cnicos pontuais ou de interven√ß√Ķes mais profunda que poderiam, inclusive, levar √† substitui√ß√£o integral de todo o conjunto gerador.

Diante de um cenário de substituição do maquinário que, por si só, envolve elevados custos, a repotenciação e a modernização das UHE surgem como uma possibilidade técnica tangível, de baixo impacto socioambiental e com grandes benefícios para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Merece ser destacado que a repotencia√ß√£o das UHE vai al√©m da recupera√ß√£o da performance original dos projetos, tendo em vista o novo estado da arte determinado pela revolu√ß√£o tecnol√≥gica em curso. O processo de repotencia√ß√£o e moderniza√ß√£o envolve incremento de energia e pot√™ncia para a usina, com reflexos positivos para todo o SIN. Por exemplo, pode-se utilizar desde avan√ßadas t√©cnicas de modelagem, como as trazidas pelo Computer Fluiyd Dynamics, at√© novas t√©cnicas de forja e soldagem, tecnologias de materiais mec√Ęnicos e el√©tricos e pequenos aperfei√ßoamentos integrados ao projeto construtivo capazes de reduzir, significativamente, as perdas t√©cnicas.

Neste √Ęmbito, pode-se dizer que existe, atualmente, a consolida√ß√£o de um ac√ļmulo de experi√™ncias e tecnologias, as quais, se aplicadas, poder√£o intensificar o desempenho das UHE. Esta performance se traduz, tanto em maior produ√ß√£o de energia el√©trica (MWh) na gera√ß√£o, em virtude dos ganhos de efici√™ncia da convers√£o eletromec√Ęnica da energia, quanto em incremento de pot√™ncia instalada(MW), devido √† otimiza√ß√£o da engenharia do projeto. Em s√≠ntese, a repotencia√ß√£o fornece ganhos de capacidade, energia e disponibilidade operativa para o sistema, sem provocar impactos socioambientais no territ√≥rio.

Apesar das vantagens que a repotencia√ß√£o pode trazer, em raz√£o do grande n√ļmero de UHE que o Brasil possui, diferentemente da maioria dos pa√≠ses, este processo enfrenta uma limita√ß√£o vinculada diretamente ao marco regulat√≥rio vigente. Ao contr√°rio dos investimentos do tipo prudentes, consagrados como mantenedores do funcionamento cont√≠nuo das plantas hidrel√©tricas, a repotencia√ß√£o de usinas requer investimentos que n√£o s√£o reconhecidos pela regula√ß√£o.

Em fun√ß√£o da import√Ęncia estrat√©gica que o Setor El√©trico det√©m na sociedade e por ser de capital intensivo e de longo prazo de matura√ß√£o, o marco regulat√≥rio brasileiro √© muito estruturado, consistente e com grande credibilidade. No entanto, com a revolu√ß√£o tecnol√≥gica em curso, vinculada ao processo de transi√ß√£o energ√©tica mundial, os investimentos relacionados diretamente a inova√ß√Ķes n√£o s√£o reconhecidos pela regula√ß√£o, inviabilizando modelos de neg√≥cio, no caso, para a repotencia√ß√£o e moderniza√ß√£o das UHE. Esta √© uma dicotomia cl√°ssica que o SEB enfrenta.

Nestes termos e a t√≠tulo de conclus√£o, para viabilizar economicamente as inova√ß√Ķes tecnol√≥gicas, s√£o necess√°rias, obrigatoriamente, inova√ß√Ķes regulat√≥rias, as quais ir√£o atrair investimentos e criar novos mercados, de modo a dinamizar a cadeia produtiva do SEB, trazendo, assim, benef√≠cios e est√≠mulos para a economia brasileira.

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