ūüé• A Intera√ß√£o din√Ęmica entre Ve√≠culos El√©tricos e Infraestrutura de Carregamento

Por Nivalde de Castro, Mauricio Moszkowice e André Alves.

Este artigo foi publicado pelo servi√ßo de informa√ß√£o Broadcast Energia da Ag√™ncia Estado de S√£o Paulo em 25 de junho de 2020 (Clique aqui acessar o PDF).

Um breve resumo do artigo pelo pesquisador André Alves.

A mobilidade el√©trica urbana √© um segmento com um cen√°rio consistente de grandes transforma√ß√Ķes tecnol√≥gicas, em fun√ß√£o da acelera√ß√£o do processo de difus√£o dos ve√≠culos el√©tricos. Avalia-se que este cen√°rio ficou mais determinado em decorr√™ncia dos desdobramentos p√≥s pandemia. Este ju√≠zo deve-se √† necessidade de as economias mais desenvolvidas assumirem pol√≠ticas p√ļblicas que favore√ßam e estimulem investimentos para a retomada econ√īmica e do n√≠vel de emprego. Neste contexto, a mobilidade el√©trica, lato senso, est√° recebendo prioridade por ser uma tecnologia disruptiva, com impactos positivos e construtivos nas cadeias produtivas da ind√ļstria automobil√≠stica, do setor el√©trico e nos atuais h√°bitos da popula√ß√£o.

Para viabilizar este novo mundo da mobilidade el√©trica, h√° um importante requisito: investimentos no desenvolvimento e na constru√ß√£o de uma infraestrutura de carregamento de ve√≠culos. Diferentes a√ß√Ķes s√£o necess√°rias para a consolida√ß√£o de uma nova infraestrutura, merecendo destaque a estrutura√ß√£o de um arcabou√ßo regulat√≥rio capaz de dar viabilidade econ√īmica para modelos de neg√≥cios desenhados e capazes de estimular este novo segmento do mercado da mobilidade el√©trica.

No front da ind√ļstria automobil√≠stica, o mercado de ve√≠culos el√©tricos vem crescendo de forma expressiva. De acordo com dados publicados pela International Energy Agency (IEA), no Global EV Outlook 2020, o estoque global da difus√£o de carros el√©tricos vem se expandindo numa taxa elevada, alcan√ßando em 2019, somente no segmento de transporte de passageiros, a marca de 7,2 milh√Ķes de unidades, representando um aumento de 40% em rela√ß√£o a 2018. Quase metade destas unidades est√£o na China, 25% na Europa e 20% nos EUA.

Os ve√≠culos el√©tricos dependem de uma rede de infraestrutura que permita a recarga das baterias dos ve√≠culos. O panorama mundial neste item revela que existem instalados 7,3 milh√Ķes de carregadores, com um crescimento de 40% em rela√ß√£o √† 2018. Deste total 6,5 milh√Ķes s√£o de uso privado e o restante de uso p√ļblico.

Estes n√ļmeros de ve√≠culos el√©tricos e de postos de carregamento refletem principalmente pol√≠ticas de incentivo que v√™m sendo adotadas e praticadas notadamente nas economias mais desenvolvidas, contribuindo para avan√ßar a curva de redu√ß√£o dos custos envolvidos pelos ganhos de escala.

No Brasil, como √© de se esperar pelas dificuldades econ√īmicas que o pa√≠s enfrenta desde 2015, este processo vem ocorrendo de forma mais lenta. De acordo com a Associa√ß√£o Brasileira do Ve√≠culo El√©trico (ABVE), em fins de dezembro de 2019, estimavam-se 16 mil ve√≠culos el√©tricos e somente cerca de 500 postos de carregamento oficialmente reconhecidos. O baixo grau de desenvolvimento da infraestrutura de carregamento se configura, por um lado,  como um entrave para a difus√£o dos ve√≠culos el√©tricos. Por outro lado, √© uma promissora oportunidade de novos neg√≥cios.

Destaca-se, por√©m, que o desenvolvimento da infraestrutura de carregamento depende da cria√ß√£o de um ambiente de neg√≥cios que favore√ßa a tomada de decis√£o de investimentos por parte dos agentes privados interessados. Neste sentido, s√£o necess√°rios estudos e pesquisas que forne√ßam um ferramental anal√≠tico para a simula√ß√£o de cen√°rios de m√ļltiplas vari√°veis, a delimita√ß√£o de inova√ß√Ķes regulat√≥rias e a determina√ß√£o de uma consist√™ncia m√≠nima na evolu√ß√£o da estrutura de custos envolvidos, al√©m auxiliar em quest√Ķes relacionadas aos mecanismos e condi√ß√Ķes de linhas espec√≠ficas de financiamento para suportar os investimentos em infraestrutura de recarga.

Os estudos de mercado ganham mais relev√Ęncia ao considerar as especificidades dos eletropostos, dentre as quais, destacam-se os diferentes modelos de recarga existentes, suas tend√™ncias tecnol√≥gicas e o direcionamento de sua padroniza√ß√£o. Al√©m disso, estudos e an√°lises ir√£o auxiliar na defini√ß√£o da estrutura tarif√°ria a ser adotada, vinculada e dependente do modelo regulat√≥rio, e no est√≠mulo √† mudan√ßa de h√°bitos dos consumidores. Destaca-se que as informa√ß√Ķes relativas a este conjunto de aspectos s√£o fundamentais para a an√°lise da viabilidade econ√īmica dos novos investimentos.

Outra importante linha de estudos deve centrar-se nos impactos da difus√£o dos ve√≠culos el√©tricos e dos eletropostos na rede el√©trica. Sobre este aspecto, devem ser abordadas quest√Ķes relacionadas, por exemplo, ao dinamismo do processo de recarga dos ve√≠culos el√©tricos e seus impactos na opera√ß√£o do sistema el√©trico e, tamb√©m, ao seu papel nos mecanismos de gerenciamento da demanda.

Em suma, h√° uma rela√ß√£o entre os ve√≠culos el√©tricos e a amplia√ß√£o da rede de carregamento, criando um processo din√Ęmica e positiva de feedback que vai garantir a evolu√ß√£o e difus√£o crescente da mobilidade el√©trica, numa l√≥gica bem simples: quantos mais VE h√° necessidade de mais postos de carregamentos. E quanto mais a rede de carregamento cresce, haver√° mais est√≠mulos para mais VE, criando um c√≠rculo virtuoso. Assim, √© uma quest√£o de tempo e de um bom marco regulat√≥rio.

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