ūüé•Frotas de ve√≠culos el√©tricos: uma nova tend√™ncia

Por Nivalde de Castro, Lucca Zamboni, Selena Herrera e Marcello Matz.

Este artigo publicado pelo servi√ßo de informa√ß√£o Broadcast da Ag√™ncia Estado de S√£o Paulo em 15 de outubro de 2020 (Clique aqui acessar o PDF).

O pesquisador Lucca Zamboni apresenta artigo “Frotas de ve√≠culos el√©tricos: uma nova tend√™ncia”.

O mercado automobil√≠stico mundial est√° apostando nos ve√≠culos el√©tricos (VEs), em virtude dos incentivos diretos e indiretos de legisla√ß√Ķes ambientais, que visam reduzir as emiss√Ķes de gases decorrentes do setor de transporte, com metas de eletrifica√ß√£o das frotas principalmente para 2030. A partir deste ano, nenhum ve√≠culo √† combust√£o poder√° ser fabricado ou comercializado na grande maioria dos principais pa√≠ses.

Neste cen√°rio determinativo, as empresas v√£o necessitar de frotas para suas opera√ß√Ķes. Desta forma, espera-se a acelera√ß√£o gradativa da substitui√ß√£o de frotas de ve√≠culos √† combust√£o interna para VEs. Este processo de redu√ß√£o das emiss√Ķes operacionais dever√° ser intensificado pelos aspectos de marketing institucional junto aos clientes, cada vez mais preocupados e sens√≠veis √†s quest√Ķes ambientais e de sustentabilidade. Neste contexto, a tend√™ncia de difus√£o dos VEs deve se acelerar e consolidar, pressionando as pol√≠ticas p√ļblicas de m√ļltiplos incentivos.

O mercado europeu lidera a transi√ß√£o para os VEs em frotas operativas, segundo a iniciativa e os dados da EV100 do Climate Group, que re√ļne empresas globais comprometidas com o duplo objetivo de acelerar a transi√ß√£o para VEs etornar o transporte el√©trico o novo paradigma at√© 2030. De acordo com a experi√™ncia destas empresas, as frotas de VEs reduzem drasticamente os custosde opera√ß√£o, principalmente nos quesitos de abastecimento e de manuten√ß√£o. O grupo Deutsche Post DHL, por exemplo, declarou uma economia de 60% a 70% em custos de combust√≠vel e de 60% a 80% em manuten√ß√£o e consertos, em compara√ß√£o com ve√≠culos √† combust√£o interna.

No entanto, tr√™s barreiras ainda restringem uma mais r√°pida difus√£o desta nova tecnologia: a baixa oferta de modelos de VEs, principalmente em rela√ß√£o aos ve√≠culos de m√©dio e grande porte para frotas operativas, a falta de infraestrutura p√ļblica de recarga e o pre√ßo dos modelos de VEs.

Especificamente no caso das frotas de VEs das utilities de energia, a opera√ß√£o e a manuten√ß√£o das suas atividades fins envolvem uma grande complexidade log√≠stica, com uma s√©rie de restri√ß√Ķes relacionadas aos turnos e tipos de equipes, √† frota e aos modelos de VEs dispon√≠veis para cada tipo de atendimento (servi√ßo t√©cnico-comercial, emerg√™ncia ou linha viva), a quest√Ķes de autonomia e tempos de abastecimento e √† roteiriza√ß√£o, frente a uma din√Ęmica n√£o previs√≠vel de ordens de servi√ßo.

Apesar de estudos relacionados ao TCO (Total Cost of Ownership) dos VEs demonstrarem, em alguns casos, paridade ou mesmo ser em m√©dia 5% mais barato do que os ve√≠culos √† combust√£o interna, observam-se, como a solu√ß√£o encontrada, por exemplo, na Espanha, a pr√°tica do aluguel de VEs para as frotas de ve√≠culos leves e a terceiriza√ß√£o das opera√ß√Ķes que implicam ve√≠culos m√©dio e pesados com necessidade de implementos.

As locadoras que oferecem os VEs em seu portif√≥lio de aluguel trabalham com uma deprecia√ß√£o de cerca de tr√™s anos, tempo m√©dio de dura√ß√£o dos contratos por ve√≠culo, em que o valor pago mensalmente √© mais elevado em rela√ß√£o ao an√°logo √† combust√£o. Em grande parte, os VEs s√£o leves, carros de passeio ou 4×4, utilizados para atividades comerciais ou para acompanhamento de atividades operacionais e log√≠stica da for√ßa de trabalho. As contratantes t√™m avaliado positivamente esta substitui√ß√£o, uma vez que os VEs possuem menos paradas para manuten√ß√£o e de dura√ß√£o mais reduzida, al√©m de serem um instrumento de marketing junto aos seus clientes.

Para gest√£o de frotas com VEs, in√ļmeras empresas t√™m feito uso de aplicativos de aloca√ß√£o de ve√≠culo, frente a dist√Ęncia a ser percorrida, assim como de dados de telemetria para acompanhar a rela√ß√£o km/kWh consumidos. Outra utilidade destas ferramentas √© evitar a ociosidade dos VEs durante o expediente das empresas, principalmente na modalidade de aluguel, pois os ve√≠culos parados custam caro √†s companhias.

No Brasil, o crescimento da frota de ve√≠culos el√©tricos ainda √© t√≠mido, em decorr√™ncia do alto custo de aquisi√ß√£o frente ao equivalente √† combust√£o interna. Por outro lado, a oferta de VEs √© muito pequena, tanto no segmento de opera√ß√£o (leve, m√©dio ou pesado), quanto nos modelos similares aos existentes √† combust√£o. Destaca-se que a forma√ß√£o de frotas de VEs, no pa√≠s, seguir√° a mesma tend√™ncia mundial, centrada em tr√™s vetores: redu√ß√£o dos custos de opera√ß√£o e manuten√ß√£o, diminui√ß√£o das emiss√Ķes de gases de efeito estufa e utiliza√ß√£o do vetor como marketing junto aos seus clientes.

Na gest√£o de frotas, muitas empresas as terceirizam junto a locadoras nacionais, mas estas n√£o oferecem ainda, em seu portf√≥lio, muitas op√ß√Ķes de VEs. Como alternativa, um n√ļmero crescente de empresas est√° realizando investimentos para forma√ß√£o de suas frotas em car√°ter volunt√°rio, visando atrair uma imagem positiva junto aos seus clientes e aos seus funcion√°rios, em fun√ß√£o da melhor qualidade de trabalho proporcionado pelos VEs.

Destaca-se que os tr√™s limitantes citados no in√≠cio da difus√£o da eletrifica√ß√£o de frotas no Brasil implicam na necessidade de uma maior oferta de produtos e uma redu√ß√£o dos custos de aquisi√ß√£o dos ve√≠culos, medidas que envolvem a elabora√ß√£o de pol√≠ticas p√ļblicas de incentivo aos VEs. Uma maior oferta de VEs representa uma oportunidade para desenvolver a ind√ļstria nacional e captar as concession√°rias para opera√ß√£o e manuten√ß√£o.

As baterias são o principal componente do custo do VE. Porém, elas apresentaram uma diminuição de custos de 87%, entre 2010 a 2019, e devem seguir uma trajetória de redução, em função dos ganhos de escala e de novas tecnologias, tornando os VEs cada vez mais competitivos frente aos veículos à combustão interna.

Diante do quadro anal√≠tico estruturado, a eletrifica√ß√£o das frotas operativas no mundo e, consequentemente, no Brasil vai impor mudan√ßas significativas na cadeia produtiva das empresas com frotas de VEs, incluindo, entre outras, (i) novas ferramentas digitais de gest√£o de frotas; (ii) o desenvolvimento do mercado de pontos de carregamento p√ļblico e privados; (iii) o est√≠mulo ao desenvolvimento do mercado e da ind√ļstria de VEs e implementos el√©tricos; (iv) a cria√ß√£o de mercados secund√°rios de compra e venda de VEs e de baterias; (v) inova√ß√Ķes regulat√≥rias; e (vi) uma press√£o para pol√≠ticas p√ļblicas de
incentivos.

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